Itamed trava Pronto-Socorro Cardiológico e agrava crise na saúde de Foz

Setor cardiológico opera acima da capacidade, enquanto maternidade já foi alvo de denúncia por superlotação e pacientes relatam cortes na oncologia.

A crise na assistência pública hospitalar de Foz do Iguaçu ganhou uma nova dimensão neste fim de semana. O Hospital Itamed comunicou oficialmente aos órgãos de saúde que não tem mais capacidade para receber novos pacientes em seu pronto-socorro cardiológico e determinou o redirecionamento de novos casos para outras unidades da rede.

O comunicado, enviado na noite de sábado (15), revela que o setor, com capacidade operacional para 16 pacientes, estava com 21 pessoas sob assistência, uma ocupação de 131,25%. O dado mais preocupante é que 16 pacientes aguardavam leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) e quatro esperavam por leitos de enfermaria.

O documento encaminhado pela Fundação de Saúde Itaiguapy à Secretaria Municipal de Saúde, à 9ª Regional de Saúde, à Secretaria de Estado da Saúde, à Central Estadual de Regulação e ao SAMU informa expressamente que o hospital estava “materialmente impossibilitado” de realizar novas admissões no Pronto-Socorro.

O ponto central é que o pronto-socorro mencionado no documento é o serviço cardiológico do Itamed. A instituição é referência para atendimento pelo SUS nessa área, o que amplia o impacto de uma interrupção ou restrição de novas admissões

Um alerta atrás do outro

O episódio ocorre poucos dias depois de outro alerta grave envolvendo o mesmo hospital.

Na semana passada, o Conselho Municipal de Saúde (Comus) já havia encaminhado ao Ministério Público uma denúncia sobre a superlotação da maternidade do Itamed, que, segundo os dados apresentados pelo conselho, ultrapassava 230% da capacidade.

A situação é especialmente sensível porque a maternidade atende pacientes do SUS de Foz do Iguaçu e da região. O problema, portanto, não se restringe às paredes do hospital: envolve diretamente a capacidade de atendimento da rede pública regional.

No início de 2025, o então secretário de Saúde Beto Preto, anunciou que o Estado financiaria a construção de uma nova unidade anexa ao hospital, com mais 30 leitos. As tratativas não foram adiante, porque, segundo a Itamed, o Estado não queria se responsabilizar pela operação da nova ala, apenas pela construção do prédio.

Agora, poucos dias depois, a direção do Itamed comunica oficialmente o esgotamento da capacidade de seu pronto-socorro cardiológico, com pacientes ocupando o setor enquanto aguardam transferência para UTI e enfermaria.

E a oncologia?

A pressão também alcança outra área crítica: a oncologia.

O atendimento oncológico é de responsabilidade da Fundação de Saúde Itaiguapy, que mantém no Itamed um serviço de referência para pacientes do SUS da região.

Nos últimos meses, pacientes vêm relatando à reportagem cortes e redução de atendimentos na área. Os relatos envolvem um serviço em que a continuidade do tratamento é especialmente sensível, já que pacientes oncológicos dependem de consultas, exames, procedimentos e terapias programadas.

Problema deixou de parecer pontual

Maternidade superlotada, pronto-socorro cardiológico acima da capacidade e relatos de redução nos atendimentos oncológicos colocam em evidência uma sequência de problemas que atinge justamente setores estratégicos da assistência hospitalar.

O documento do Itamed revela que a situação do Pronto-Socorro chegou a um ponto crítico: dos 21 pacientes que estavam no setor às 21h de sábado, 16 aguardavam leitos de UTI e quatro aguardavam enfermaria. Eles permaneciam no Pronto-Socorro por falta de retaguarda hospitalar.

A direção solicitou urgência na transferência dos 16 pacientes inscritos no GSUS à espera de UTI, na transferência dos pacientes que aguardavam enfermaria e no redirecionamento de novos pacientes para outras unidades da rede.

Ministério Publico recebeu o alerta

O comunicado do Itamed foi encaminhado com cópia à 9ª Promotoria de Justiça de Foz do Iguaçu, do Ministério Público do Paraná.

A suspensão de novas admissões, segundo o documento, permanecerá enquanto não houver efetiva liberação de capacidade no Pronto-Socorro. A Fundação afirma que continuará prestando assistência aos pacientes já admitidos, dentro dos limites de sua capacidade e das condições necessárias à segurança assistencial.

Por:Natália Peres

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