Som intenso ocorre em Presidente Franco, em píer no Rio Paraná; abaixo-assinado reúne adesões de moradores do Porto Meira à Vila Portes, centro e Boicy.
Em representação coletiva por uma solução para a poluição sonora na região trinacional, uma comissão de moradores entregou abaixo-assinado com mais de 500 assinaturas ao Consulado da República do Paraguai, em Foz do Iguaçu, nessa segunda-feira, 29. O pedido de providências é contra o som estrondoso, contínuo e acima dos limites legais proveniente de Presidente Franco, a partir de um píer (Muelle) às margens do Rio Paraná.
Os cônsules Moisés Quintana e Iván Airaldi receberam o documento em reunião com a comissão. Entre os signatários do abaixo-assinado estão moradores, empresários e lideranças do Porto Meira à Vila Portes, do centro à região do Boicy, de aproximadamente dez prédios e condomínios residenciais, bem como casas e vilas militares da Marinha e da Aeronáutica. A busca pelo Consulado é porque os moradores prezam pelo entendimento que marca as relações entre os dois países, a exemplo de outras demandas resolvidas por meio do diálogo e do empenho entre todas as partes.
O problema ocorre principalmente nas noites e madrugadas de sexta-feira, sábado e domingo, em que veículos equipados com sistemas de som de alta potência se concentram na região do Muelle. Em razão da proximidade geográfica, o ruído se propaga e alcança diversos bairros e a região central de Foz do Iguaçu com elevada intensidade.
Os autores da representação afirmam que a situação afeta milhares de moradores das áreas próximas ao Rio Paraná, comprometendo o descanso noturno e a qualidade de vida da população. Entre os grupos diretamente impactados estão famílias, idosos, crianças e moradores de conjuntos residenciais das Forças Armadas — incluindo militares da Marinha e do Destacamento de Controle do Espaço Aéreo de Foz do Iguaçu (Dtcea-FI)
Aos cônsules paraguaios, oficiais da Dtcea-FI relataram que o problema também representa risco à segurança aérea na região trinacional. Isso porque grande parte do efetivo de técnicos e controladores responsáveis pela segurança do tráfego aéreo de Argentina, Brasil e Paraguai mora a cerca de 500 metros do local de propagação do som, o que compromete o descanso de profissionais frequentemente submetidos a noites inteiras de ruído excessivo.
Presidente do Conselho de Desenvolvimento Trinacional (Codetri), entidade que chancela o pedido, Roni Temp destacou que a comunidade procura o diálogo com as autoridades paraguaias para solucionar um problema que também afeta moradores do país vizinho. “Temos um bom entendimento na região trinacional e, trabalhando juntos, temos condições de enfrentar esse problema, que tem prejudicado a qualidade de vida de inúmeras famílias”, afirmou.
Compromisso
Os representantes consulares informaram que irão acionar oficialmente as autoridades paraguaias na região e em Assunção. Acrescentaram que a Marinha do Paraguai já conhece o problema e realizou incursões no local durante o fim de semana. “Com esse documento, poderá ser realizado um trabalho coordenado entre o Ministério Público e as forças de segurança”, declarou o cônsul Moisés Quintana. “Temos o compromisso de trabalhar em busca de uma solução para esse problema que afeta a fronteira”, complementou o cônsul Iván Airaldi.
Já o presidente da Câmara de Vereadores de Presidente Franco, Luís Fernando Vargas, assumiu a incumbência de contribuir para a construção de soluções junto à municipalidade e ao Ministério Público. “Agora, temos uma denúncia formal para que possamos atuar com as autoridades do nosso país, inclusive com apreensão de veículos”, disse, propondo ainda a criação de um canal de comunicação direta para o registro de ocorrências e apoio a eventuais flagrantes.
Moradores reclamam
A comunidade religiosa Congregação Fraternidade O Caminho está entre as instituições afetadas pelo som intenso que se propaga de Presidente Franco. A entidade mantém na região unidades destinadas ao acolhimento de pessoas em situação de vulnerabilidade social e ao descanso de religiosas e missionárias.
O barulho interfere diretamente na rotina. O som costuma começar no início da noite e permanecer durante toda a madrugada, prejudicando o descanso das religiosas que atuam diariamente em atividades assistenciais. Nossa missão exige dedicação diária, e o descanso é fundamental para continuarmos esse trabalho.
O aposentado João Enésimo de Melo, integrante da comissão de moradores e um dos responsáveis pela mobilização, frisa que a reivindicação não é contra a realização de eventos ou a utilização de música, mas pela aplicação da legislação vigente. “O que pedimos é respeito às regras de convivência. O volume aumenta durante a madrugada e acaba afetando toda a população que vive na região.
Comissão entrega abaixo-assinado ao Consulado do Paraguai em Foz do Iguaçu – foto: divulgação





