PROFESSORES MANTÊM ESTADO DE GREVE E VÃO PROTESTAR NA TERÇA EM FRENTE À PREFEITURA


Descontentamento é gerado, principalmente, por mudanças no conteúdo ensinado aos alunos e pagamento inadequado de reajuste definido pelo MEC

Ontem (28), à noite, os profissionais da educação da rede municipal de Foz do Iguaçu se reuniram em Assembleia Geral Extraordinária para tomar decisões que impactam diretamente o ensino em sala de aula em 2026. A pauta continha temas como as mudanças que a Secretaria Municipal de Educação quer fazer nas disciplinas e no conteúdo ensinados aos alunos da rede pública. A deliberação resultou em profissionais em estado de greve, protesto marcado para terça-feira (3) e nova assembleia pré-agendada para 13 de fevereiro.

Em relação às alterações na grade curricular, os profissionais decidiram aguardar o parecer técnico do Conselho Municipal de Educação, órgão fundamental para a qualidade e a legalidade do sistema municipal de ensino, com poderes normativo, consultivo, deliberativo e fiscalizador para garantir que a política educacional do município atenda ao interesse público. O Conselho Municipal de Educação é formado por representantes do poder público, dos profissionais da educação, de instituições educacionais e da comunidade, e retomará as atividades no dia 11 de fevereiro.

A proposta inicial de alteração da matriz curricular do Ensino Fundamental, tornada pública pela Secretaria Municipal de Educação no fim do ano passado, previa a retirada de aulas de Português, Geografia e Ciências para introdução de aulas de Inglês e Robótica. A reação dos professores foi imediata e negativa – o que resultou na deliberação pelo estado de greve. A Secretaria de Educação encaminhou os termos da mudança ao Conselho Municipal de Educação, solicitando análise em regime de urgência, motivo pelo qual o conselho decidiu não votar a matéria naquele momento.

Sobre o Piso Nacional do Magistério, a categoria defende que a gestão municipal precisa cumprir as determinações do Ministério da Educação, pagando o reajuste de 5,4% definido no dia 21 de janeiro deste ano, além de defasagem significativa acumulada de anos anteriores. Isso indica que, no Brasil, nenhum professor da rede pública, que trabalha nos períodos da manhã e tarde, pode ganhar menos que R$ 5.130. O problema é que, em Foz, há anos, a prefeitura paga esse reajuste nacional como completivo, ou seja, o reajuste não é incorporado ao salário-base dos professores, trazendo prejuízos à carreira.

O Sindicato dos Professores e Profissionais da Educação da Rede Pública Municipal de Foz do Iguaçu (Sinprefi) conduz as negociações com a prefeitura e defende que a educação pública tenha qualidade e leve em consideração o posicionamento dos profissionais que atuam todos os dias nas escolas, em contato com a comunidade escolar. “Defendemos que haja mais diálogo e transparência nas ações promovidas pela SMED,” diz a presidente do Sinprefi, Viviane Dotto.

Próximas ações
Na terça-feira (3), os profissionais da rede municipal de ensino de Foz farão um ato público de protesto em frente à Prefeitura de Foz, no horário do almoço. Ocorre que desde segunda (2), as atividades internas de trabalho já terão sido retomadas nas escolas. O ato servirá como um alerta ao executivo municipal e também uma forma de informar à comunidade sobre a realidade que a categoria vem enfrentando.

A partir de quarta (4), os professores farão manifestações pacíficas e informativas nas escolas, vestindo preto, colocando faixas e cartazes comunicando a comunidade escolar sobre o estado de greve e os motivos que levaram a essa decisão.

Os profissionais da educação deixaram pré-agendada uma nova Assembleia Geral para o dia 13 de fevereiro, véspera do feriadão de Carnaval. A estratégia é seguir com as tentativas de sensibilização do poder público municipal e negociações por mais esse período. Ainda no dia 9 de janeiro o Sinprefi protocolou um ofício solicitando reunião com o prefeito Silva e Luna. No dia 23 foi enviado novo ofício. Caso não haja entendimento em favor da qualidade do ensino, há possibilidade de deliberação por greve geral depois do Carnaval.
Profissionais decidem manter estado de greve em defesa da qualidade na educação municipal

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